quinta-feira, 20 de outubro de 2011


    Dia 20 de outubro: Dia Mundial e Nacional da Osteoporose


      Conscientizar a população sobre as formas de combate à doença. Esse é o principal objetivo do Dia Mundial e Nacional da Osteoporose, comemorado dia 20 de outubro. Instituído em 1996, pela Sociedade Britânica de Osteoporose e adotado pela International Osteoporosis Foundation em 1997, o dia é focado na conscientização da população sobre a prevenção à doença. Todos os anos, instituições ligadas à IOF e organismos nacionais, como o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Cardiologia, realizam eventos para comemorar o Dia Mundial da Osteoporose e instruir as pessoas no combate à doença.
      A osteoporose é uma doença caracterizada pela diminuição da massa óssea, com conseqüente enfraquecimento e fragilidade do osso e maior possibilidade de fraturas, mesmo após pequenas quedas e traumas. As estatísticas comprovam o quão sério é o problema: uma em cada quatro mulheres, após a menopausa, têm osteoporose e uma a cada cinco mulheres que já tiveram fratura sofrerão outra fatura, em menos de um ano. No Brasil, mais de 10 milhões de pessoas têm a doença e, no mundo, esse número chega a 200 milhões.
      A boa notícia é que a osteoporose pode ser prevenida e tratada com excelentes resultados. “A osteoporose pode ser diagnosticada, com precisão e precocemente, através de um exame de fácil realização, indolor e de alta precisão chamado densitrometria óssea. Enquanto com o raio-x somente podemos detectar a osteoporose quando já há perda de 30% da massa óssea, com esse exame podemos detectá-la quando há perda de menos de 1%. E detectada precocemente, podemos tratá-la com êxito”, explica o reumatologista do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo– Dr. Eduardo Sadigurschi.
      Muitas vezes, a osteoporose se manifesta clinicamente através de fraturas. Dores e diminuição de altura, entretanto, também podem estar associadas à doença. Segundo o reumatologista do CREB, os principais fatores de risco da doença são: ser mulher; ter pele e/ou olhos claros; ser baixa e/ou magra; quem não toma leite ou ingira pouco alimento com cálcio; quem não faz exercício físico; quem toma pouco sol; quem tem parente com a doença; quem sofre de asma (bronquite), artrite ou alergia; fumantes; quem bebe muito café e bebida alcoólica; quem tem menopausa precoce por cirurgia ou não; quem usa antiácidos, anticonvulsivantes, certos diuréticos, heparina e/ou corticóides; e quem tem problema de tiróide.
      O tratamento, explica o Dr. Eduardo, deve ser orientado com um programa completo. “Os hormônios podem ter um papel muito importante na reconstrução e na prevenção da perda da massa óssea. Assim, a reposição hormonal pode ser realizada com hormônios similares aos naturais ou por fitoterapia”, afirma o médico. O Dr. Eduardo recomenda que mulheres adultas pratiquem uma dieta de 1000 mg de cálcio por dia. “Quando há risco de osteoporose, sugerimos uma dieta com 1500 mg de cálcio diários. Entre os alimentos ricos em cálcio estão o leite, iogurte natural com pouca gordura, queijo ricota, queijo suíço, queijo provolone e até sorvete cremoso de baunilha. Outras fontes secundárias de cálcio são sardinha, ostras, ervilhas, couve e brócolis”, diz ele, que ensina uma importante dica: “a casca do ovo é composta em quase 100% de carbonato de cálcio. Sugerimos aos nossos pacientes lavar a casca do ovo, colocar no forno em alta temperatura, com a finalidade de buscar uma melhor higienização. Depois, pegue essa casca e a triture muito bem até ficar muito fina. Coloque uma colher de chá ao dia desse material na comida misturada e você terá aí os 1.500 mg ao dia de cálcio necessários em sua dieta”, explica.

sábado, 8 de outubro de 2011

Dia Mundial de Cuidados Paliativos


Paliar tem sido um verbo cada vez mais comum na medicina. Felizmente. Já diz o meu cunhado, Guilherme Cherpak, médico, que os cuidados paliativos trazem uma perspectiva menos dolorosa e mais calorosa não só para o paciente, mas também para a família.
Não à toa, hoje (8/10) é o Dia Mundial de Cuidados Paliativos / World Hospice and Palliative Care Day, data promovida pela associação Help the Hospices, da Inglaterra, com o intuito de sensibilizar a sociedade diante das necessidades médicas, sociais e emocionais das pessoas que vivem com uma doença limitadora.
Aluno da residência de clínica médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Guilherme Cherpak está conhecendo a fundo uma unidade de paliação, cujo trabalho é conduzido com base no dueto respeito/dignidade diante da fragilidade da vida.
Pacientes em estado terminal (ou aqueles que convivem com doenças crônicas que exigem zelo para aliviar a dor e o sofrimento) formam o grupo que se beneficiam com a medicina paliativista.
“Estou oferecendo picolé a todos os pacientes que usam sonda. É uma lambuzeira só. É bom ver a cara de felicidade deles”, conta Guilherme, numa das muitas conversas informais e construtivas que tivemos nesta semana. Simples, a terapêutica do picolé é eficaz: “Ajuda a ativar o paladar dos pacientes e faz com que eles comecem a aceitar melhor a dieta por via oral”, diz.
Neste Dia Mundial de Cuidados Paliativos, por sinal, acontece o encerramento do 1º Simpósio Norte-Nordeste de Cuidados Paliativos, realizado pela Academia Nacional de Cuidados Paliativos e apoiado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pelo Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), onde acontece o evento.
Da programação, fazem parte temas como os aspectos psicológicos do adoecer, os direitos do cidadão em cuidados paliativos, a espiritualidade e o doente, a arte e o tratamento, entre outros assuntos.
Reconhecida como especialidade médica pelo CFM, em agosto deste ano, a terapêutica paliativa volta-se para a melhoria da qualidade de vida de quem tem doenças graves e crônicas que levam a um estado terminal. Através da atuação de uma equipe interdisciplinar, a medicina paliativista também busca oferecer suporte emocional, psicológico e  social para o doente e a família.
Assistência e proteção na dose certa formam uma máxima da medicina paliativista (Foto: Divulgação - Site stock.xchng)
“Ficar ao lado do paciente nos momentos mais simples, como na hora do remédio, e nos mais complexos, como nos casos em que ele tem um efeito colateral da quimioterapia, faz do enfermeiro um aliado no trabalho do médico”, ressalta a enfermeira Maria Ludermilleer Sabóia Mota, doutora em farmacologia. 
“Além de cuidarmos para que o tratamento seja seguido com exatidão, devemos estar atentos a possíveis mudanças no andamento da recuperação dos pacientes, especialmente daqueles que convivem com câncer”, complementa.
A especialista explica que as náuseas e os vômitos decorrentes da quimioterapia provocam uma deterioração importante da qualidade de vida do paciente. “Geralmente, o vômito não controlável pode levar a consequências como desidratação intensa e desequilíbrio grave, com risco de morte e necessidade de internação em unidade de terapia intensiva. A enfermagem precisa estar atenta a essas situações.” 
CONSCIENTIZAÇÃO
Pesquisas mostram, no entanto, que esse cenário é subestimado. Um novo estudo, apresentado hoje (8/10/2011) pela Aliança Mundial de Cuidados Paliativos (WPCA, na sigla em inglês) mostra que, dos 234 países existentes, apenas 136 têm um ou mais serviços de medicina paliativista para as pessoas gravemente doentes, suas famílias e seus cuidadores.
Dado de pesquisa apresentada pela Aliança Mundial de Cuidados Paliativos (Foto: Divulgação - Site stock.xchng)
Ou seja: 42% dos países não oferecem unidades de cuidados paliativos. O levantamento durou cerca de cinco anos.
“É preciso preparar os enfermeiros, os médicos e todos que compõem o núcleo responsável pelos cuidados paliativos do pacientes. A equipe deve saber, por exemplo, sobre a existência de antieméticos, medicamentos que evitam e controlam as náuseas e os vômitos induzidos pela quimioterapia”, salienta Maria Lurdemileer.
Ela acrescenta que, por falta de informação, mais de 50% dos pacientes com câncer ainda sofrem com essa indisposição. “Muitos adiam e até interrompem o tratamento em decorrência do mal-estar causados pelos enjoos, que é considerado um dos principais efeitos colaterais da quimioterapia.” 
O estudo da WPCA frisa que um componente fundamental dos cuidados paliativos é o tratamento da dor. No momento, contudo, 80% da população mundial vive em países com baixo ou nenhum acesso aos medicamentos para o tratamento de dor moderada a grave.
“Estamos animados porque houve um aumento acentuado no número de serviços que prestam cuidados paliativos: passou de 10 mil em 2006 para 16 mil em 2011″, disse o executivo sênior da WPCA, Stephen Connor, coautor do relatório.
“Permanecemos, no entanto, extremamente preocupados com o fato de que apenas 20 países a nível mundial (8,5%) oferecem cuidados paliativos que são totalmente integrados com a rede ampla de saúde”, acrescentou.
Dessa maneira, a WPCA clama hoje por serviços de cuidados paliativos acessíveis a todos que enfrentam enfermidades crônicas e fatais, incluindo as pessoas que convivem com doenças não transmissíveis.
“A data de hoje serve para voltarmos a atenção para os milhões de indivíduos que vivem com dor e sofrimento desnecessários por não terem acesso a serviços de paliação”, destacou o copresidente da WPCA, David Praill.
Aproveitemos a oportunidade, então, para refletirmos melhor sobre todas essas questões.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Semana do Idoso incentiva ação social do empresariado






            A comemoração da semana do idoso atraiu a atenção de órgãos públicos e privados. Em meio de festas e homenagens, gestores de 30 organizações não-governamentais (ONGs) ouvidos pelo DCI aproveitaram as discussões pertinentes à data para promover a reflexão das empresas sobre as necessidades enfrentadas por esse público específico. Mais do que habitação e assistência médica, as entidades do terceiro setor que trabalham com o tema apontam o lazer e a oportunidade de trabalho como prioridades na inclusão social do idoso, e vêem a iniciativa privada como uma aliada fundamental para suprir a carência de políticas voltadas para essa parcela da população.
A maior parte dos trabalhos desenvolvidos pelas ONGs está direcionada para cuidados com a saúde do idoso. Segundo Aldelir do Carmo, assessora de desenvolvimento institucional do Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável (Cieds), do Rio de Janeiro, a falta de ações pontuais e políticas públicas efetivas para melhorar a qualidade de vida das pessoas na terceira idade criou uma lacuna que pode ser preenchida com os trabalhos de responsabilidade social das organizações privadas.
Porém, os programas desenvolvidos pela iniciativa privada devem atender às necessidades específicas do idoso. Por exemplo, em um projeto de inserção no mercado de trabalho, a carga horária deve ser reduzida para que ele tenha tempo de dedicar parte de sua vida a outros programas de lazer e de cultura e para que possa participar de grupos de integração social que há nas cidades.
 O Cieds, que tem parceiros do porte da Petrobras , Xerox do Brasil e Instituto Souza Cruz , desenvolve uma série de cursos de capacitação profissional para as pessoas que trabalham em casas de famílias ou asilos.
Nos cursos, os participantes aprendem técnicas de movimentação do idoso que fica na cama, o tratamento de doenças de menor complexidade, cuidados para com a saúde bucal, socorro após uma queda e o como lidar com a sexualidade do idoso.
A ONG formou também uma cooperativa com o intuito de profissionalizar o trabalho das pessoas que cuidam de idosos. Todos os profissionais da cooperativa foram formados pelo Cieds.
O secretário executivo da ONG, Fábio Müller, que realiza trabalhos voltados para a formação de gestores de entidades, também é responsável pela capacitação profissional daqueles que trabalham em asilos.
Pesquisa
Segundo dados do último censo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2000, 8,6% da população brasileira tinha 60 anos de idade ou mais, o equivalente a quase 15 milhões de pessoas. Nos próximos 20 anos, esse número, no Brasil, poderá ultrapassar a marca de 30 milhões, ou quase 13% da população ao final deste período.
Outro trabalho que tem merecido destaque entre os programas de assistência à terceira idade é o da ONG Banco de Alimentos . A ONG realiza treinamento para promover educação alimentar e incentivar o consumo de alimentos que contêm alto teor de nutrientes.
Esse trabalho visa atender às necessidades das pessoas da terceira idade, que chegaram à fase da vida que necessita de cuidados especiais. As alterações do paladar, olfato, visão, audição e tato, podem levar à perda de apetite, e, conseqüentemente à diminuição da ingestão de frutas, verduras e carnes, que são ricas em proteínas.
Segundo Isis Helena Fernandes de Camargo, coordenadora do Lar dos Velhinhos de Campinas, a semana do idoso foi um momento de reflexão para o País. "É preciso mostrar para a sociedade que os idosos precisam de atenção, o que não significa apenas desenvolver políticas assistencialistas, mas sim oportunidades de inclusão social", diz.
A empregabilidade e o lazer são apontados como fatores fundamentais para a integração do idoso à sociedade. "É neste sentido que contamos com a ajuda da iniciativa privada, que pode abrir suas portas para as pessoas que passam pela fase da melhor idade", afirma.
A coordenadora cita o Grupo Pão de Açúcar como um exemplo de ação social que deu certo, pois segundo ela a empresa promove a inclusão do idoso em duas frentes: disponibiliza vagas de trabalho e realiza doação constante de produtos para as instituições filantrópicas próximas às suas lojas.
Captação de Recursos
Para a coordenadora do Lar dos Velhinhos de Campinas, que atende hoje cerca de 150 idosos, o grande desafio atual do gestor social é a conquista de apoio financeiro. "O idoso demanda alto gasto com alimentação, medicamentos, produtos de higiene, então qualquer tipo de doação é bem-vindo", diz.
A Bosch e a Medley são algumas das empresas que ajudam a instituição periodicamente e, segundo a coordenadora, o departamento de Recursos Humanos pode atuar como grande aliado das ações sociais de uma empresa. "O gestor de pessoas deve ouvir seus funcionários, pois são estes que melhor conhecem a realidade da comunidade em que a empresa está. Ao abrir este canal, a empresa consegue ter garantia do público que realmente precisa de assistência e promove a integração dos seus colaboradores em prol de um objetivo em comum", explica.
Valéria de Souza, gestora social da Associação de Atenção ao Idoso Vila Fraternidade , instituição que atende 35 idosos carentes na cidade de Presidente Prudente, interior de São Paulo, aponta o espaço físico e o incentivo à capacitação dos gestores das organizações não-governamentais como os pontos prioritários para o apoio da iniciativa privada. "Os empresários devem abrir suas portas para essas ONGs para permitir ao idoso uma integração direta com seus funcionários, e, além da ação social, podem oferecer capacitação para os gestores das ONGs, que muitas vezes não têm formação específica para desenvolver projetos que chamem a atenção da iniciativa privada", diz.
Fonte: DCI-SP